Um caso de extrema violência que aterrorizou moradores do bairro São Cristóvão, em Nova Venécia, ganha novos contornos processuais. A vítima formalizou nesta semana um contundente pedido de prisão preventiva ao Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) contra os suspeitos de invadirem sua residência, cometerem agressões e ameaçarem sua família.
A Noite de Terror
O crime original ocorreu na madrugada do dia 24 de maio de 2025, na Rua W Dois. De acordo com o inquérito e os relatos à Polícia Militar, a vítima estava em casa com sua mãe e uma criança quando o imóvel foi invadido pela janela dos fundos por três homens encapuzados e fortemente armados.
Durante o ataque, que durou tempo suficiente para a destruição de diversos pertences pessoais — como celular, computador e televisão —, o morador foi brutalmente agredido com golpes de coronhada. Temendo por sua vida, ele só conseguiu escapar após notar uma brecha na conversa dos criminosos, sendo posteriormente socorrido por uma equipe do SAMU.
Retaliação e Falha nas Medidas Cautelares
O documento encaminhado à Promotoria de Justiça de Nova Venécia detalha que a invasão tratou-se de um ataque de represália. O principal suspeito já havia agredido a vítima anteriormente — chegando a quebrar o seu braço — e estava sob medida cautelar imposta pela Justiça. A fúria dos criminosos teria sido motivada pelo fato de a vítima ter citado, em um boletim de ocorrência anterior, o suposto envolvimento do agressor com o tráfico de drogas.
“Vídeo em que o suspeito teria descumprido a medida cautelar e interagindo com outros envolvidos no ataque armado ocorrido na mesma noite”
No ofício, a vítima aponta o claro descumprimento da medida judicial e exige providências urgentes para assegurar a eficácia da Justiça. O pedido de prisão preventiva, embasado nos artigos 312 e 313 do Código de Processo Penal, também visa um segundo suspeito teria sido encontrado morto, Guilherme dos Santos Andrade (conhecido como “Guilherminho”), apontado em diversas outras denúncias conforme boletins de ocorrência. Há relatos de que o grupo continua agindo na região, teria promovido novas invasões e agressões contra outras famílias, a exemplo de Samara Cristina de Oliveira Vidotto.
Conexões Criminosas e Redes Sociais
Um dos fatos mais alarmantes adicionados à denúncia feita à Ouvidoria do MPES envolve a irmã do principal suspeito. Segundo a representação, ela tem utilizado a rede social TikTok para realizar transmissões ao vivo (lives) onde conversa abertamente sobre armas, drogas e chega a combinar assaltos com integrantes de facções criminosas do Rio de Janeiro, evidenciando a altíssima periculosidade e a articulação da rede criminosa.
O que diz a Polícia Civil
A reportagem teve acesso a uma nota oficial da Polícia Civil, que confirmou que o inquérito policial referente à invasão do domicílio segue em pleno andamento, conduzido pela Delegacia Especializada de Narcóticos (Denarc) de Nova Venécia.
A corporação ressaltou que adotou diversas medidas para elucidar o caso, “incluindo a representação por mandado de prisão preventiva e por mandado de busca e apreensão, além da solicitação de medidas protetivas em favor da vítima”. Durante as diligências, um aparelho celular foi apreendido e encaminhado para os laboratórios da Polícia Científica (PCIES).
No momento, as autoridades aguardam os resultados dos laudos periciais para fundamentar a identificação de todos os envolvidos. Para não atrapalhar o andamento das apurações, a Polícia Civil informou que outros detalhes permanecerão em sigilo.
Próximos Passos
O apelo por justiça feito pela vítima obteve movimentação oficial no Ministério Público nesta terça-feira (21 de julho de 2026). A denúncia por crimes contra a Administração da Justiça e descumprimento de medidas protetivas de urgência foi distribuída à 4ª Promotoria de Justiça de Nova Venécia.

A manifestação gerou o protocolo oficial GAMPES nº 2026.0019.0051-23. A expectativa agora é que o Juízo competente analise o pedido de prisão preventiva formulado pelo Ministério Público para tirar os suspeitos de circulação, resguardando a integridade das vítimas, das testemunhas e garantindo a ordem pública na cidade.
A reportagem ressalta que o espaço permanece aberto para a manifestação da defesa dos envolvidos. Caso os citados ou seus representantes legais queiram apresentar esclarecimentos, este texto poderá ser atualizado com seus respectivos posicionamentos.
















Deixe um comentário