O Carnaval de 2026 no Espírito Santo começou com um enredo que não estava no roteiro oficial das escolas de samba, mas que promete dominar as discussões políticas até as eleições de outubro. No ato inaugural do desfile no Sambão do Povo, o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), e o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), protagonizaram uma cena que paralisou os bastidores do poder capixaba.
Chegando lado a lado e de mãos dadas, os dois prefeitos das maiores cidades da Grande Vitória ergueram os braços sob o grito de “Viva o Espírito Santo!”. O gesto ocorreu a poucos centímetros do governador Renato Casagrande (PSB) e do vice Ricardo Ferraço (MDB), gerando um visível desconforto na cúpula do governo estadual.
O Desconforto de Casagrande e o Fator “Ricardo Ferraço”
Para compreender a magnitude do gesto, é preciso olhar para o tabuleiro eleitoral. Tanto Arnaldinho quanto Pazolini são nomes fortes na corrida pelo Palácio Anchieta. No entanto, enquanto Pazolini consolidou sua carreira como o principal opositor de Casagrande, Arnaldinho sempre foi considerado o “pupilo” do governador, tendo recebido vultosos investimentos estaduais para suas obras em Vila Velha.
O ponto de ruptura parece ter sido o anúncio oficial feito por Casagrande em 18 de dezembro, confirmando Ricardo Ferraço como seu candidato à sucessão. Preterido pelo mentor, Arnaldinho parece agora buscar novos ares e alianças.
”Estamos começando um diálogo”, confirmou Pazolini. “Vamos continuar conversando, tem muita coisa ainda pela frente.”
Discursos, Mesuras e a “Velha Guarda”

Durante a entrega da chave da cidade ao Rei Momo, Pazolini não poupou simbolismos. Em seu discurso, deu as costas para Casagrande enquanto dirigia elogios e convites pessoais a Arnaldinho. O prefeito de Vitória ainda fez uma analogia direta entre o Carnaval e a política, enviando um recado ácido ao governador e ao vice:
Derrubando Muros: Pazolini citou Élcio Alvares e a construção da Terceira Ponte para falar sobre “unir o povo e derrubar muros invisíveis”.
A Crítica à “Velha Guarda”: Sem olhar para Casagrande, Pazolini afirmou que é preciso respeitar a “ancestralidade” e a “velha guarda” (referindo-se ao atual governo), mas que o futuro exige modernidade e nomes novos.
Subliminar Eleitoral: O prefeito de Vitória mencionou repetidas vezes o número 10 (canal da transmissão e número de seu partido), reforçando sua intenção de candidatura.
Reações: “Normalidade” ou Estratégia de Defesa?

Apesar do visível constrangimento captado pelas lentes da TV Sim e pelas redes sociais — onde os prefeitos já realizam publicações em conjunto (colabs) — o governador Renato Casagrande tentou minimizar o episódio. Questionado se a movimentação indicava uma perda de aliado, limitou-se a dizer: “Não sei. Aí é com ele [Arnaldinho]”.
Ricardo Ferraço seguiu a mesma linha, classificando o encontro como “harmonia de Carnaval”. No entanto, nos bastidores, a leitura é de que uma “chapa dos prefeitos” pode estar nascendo, unindo as duas maiores máquinas municipais do estado contra a continuidade do atual grupo governamental.





















Deixe um comentário