O major da reserva do Exército, Ângelo Martins Denicoli, ficará preso no 38º Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro, em Vila Velha, após ser condenado a 17 anos de prisão por envolvimento em uma trama golpista contra o Estado Democrático de Direito.
Denicoli foi preso na manhã desta sexta-feira (10) em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo. A prisão foi realizada pelo Exército por volta das 6h, na residência do militar, localizada no bairro Noemia Vitali, onde ele cumpria prisão domiciliar desde dezembro de 2025.

A condenação foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações do chamado “núcleo 4” da tentativa de golpe.
Outros militares presos
Além de Denicoli, outros dois militares também foram presos na operação: o subtenente Giancarlo Rodrigues e o tenente-coronel Guilherme Almeida. Ambos deverão cumprir pena em um batalhão do Exército em Brasília.
Já o coronel Reginaldo Abreu encontra-se foragido nos Estados Unidos.
Acusações e investigação
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), os condenados utilizaram a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência para monitorar adversários políticos e disseminar desinformação com o objetivo de desestabilizar o processo eleitoral e instituições democráticas.
Denicoli foi acusado de atuar diretamente na propagação de notícias falsas para favorecer a tentativa de golpe de Estado, especialmente no contexto dos ataques de 8 de janeiro de 2023.

Trajetória do major
Natural de Colatina, Ângelo Denicoli é formado pela Academia Militar das Agulhas Negras. Ele também ocupou cargo no Ministério da Saúde durante a gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello, período em que foi associado à disseminação de informações falsas sobre a pandemia de Covid-19.
Em fevereiro de 2024, o militar foi alvo da operação “Tempus Veritatis”, conduzida pela Polícia Federal, que investigou a tentativa de golpe e a abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Pouco depois, Denicoli foi exonerado do cargo de assessor especial que ocupava na Prodesp.
O indiciamento ocorreu em novembro de 2024, junto a outros 37 investigados, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Condenação e defesa
A condenação do major foi definida em outubro de 2025 pelo STF. Em dezembro, o ministro Alexandre de Moraes determinou prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, além de outras medidas cautelares.
A defesa de Denicoli, representada pelo advogado Edson Fontes, criticou a prisão, alegando que ainda há recursos pendentes de julgamento.
Segundo a defesa, a medida é “extremamente gravosa” e foi executada antes do esgotamento das vias legais, o que, segundo o advogado, fere princípios constitucionais e garantias fundamentais.
Lista de condenados no núcleo 4
Ao todo, sete pessoas foram condenadas no núcleo investigado:
Ângelo Denicoli, major da reserva do Exército
Reginaldo Abreu, coronel (foragido nos EUA)
Marcelo Bormevet, agente da Polícia Federal
Giancarlo Rodrigues, subtenente do Exército
Ailton Moraes Barros, ex-major do Exército
Carlos César Moretzsohn Rocha, ligado ao Instituto Voto Legal (foragido no Reino Unido)
Guilherme Almeida, tenente-coronel do Exército





















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